quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Primeira Postagem de 2008: Passado, Presente, Futuro...

Durante esse mês de Janeiro, pensei em escrever logo uma postagem inicial deste novo ano, mas não tinha nenhuma idéia e muito menos a inspiração ou motivação necessária para fazer isso.

Mas olhando para esse novo ano que se inicia, lembro-me de algo que me retira da inércia e me coloca em movimento: o tempo...

Quero escrever um pouco sobre o que tenho lido sobre isso ultimamente, não no sentido da administração do tempo propriamente dito, mas sobre o viver o presente, pois o passado já não volta mais e o futuro ainda não chegou.

Ouvi certa vez alguém dizer que, a humanidade sofre hoje de uma Amnésia Espiritual Grave, ou seja, se esquecem das experiências boas (aquelas que, se usadas adequadamente, nos impedem de dizer que somos incapazes, que não prestamos, que a vida não presta...), também se esquecem do conhecimento adquirido através dos erros do passado (que são os nossos maiores professores e como dizem alguns: "O Passado é o profeta do presente e do Futuro"), Mas nunca se esquecem dos erros passados (que não voltam mais e não podem ser desfeitos e nem corrigidos, podendo-se tratar apenas das conseqüências geradas através deles.

Se conseguirmos utilizar o passado em nosso favor, conseguiremos com certeza obter forças para vencer as adversidades (pois já passamos por tantas, o que seria uma a mais ?), também conseguiremos obter esperança de dias melhores e principalmente, conseguiremos dirigir nossos acertos através da correção das atitudes que geraram erros no passado.

Tanto pode ser feito quando adotamos a visão correta sobre o tempo, talvez seja até por isso que o Rei Davi disse a Deus certa vez: "Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios. " (Salmos 90:12)

Algo que também gostaria de mencionar é a relação do presente com o futuro.

Para isso, adotarei um raciocínio que até poderá parecer lógico e simplório demais, mas que se passasse por nossas mentes constantemente, certamente não precisaria ser relembrado agora.

Vamos lá, se pararmos para pensar que nosso presente é o futuro do nosso passado, será que podemos dizer que estamos vivendo da maneira que planejamos naquela época ou até da maneira que gostaríamos de estar vivendo ?

Logo, o futuro é construído no presente, pois plantamos as sementes do futuro que queremos viver no hoje e começamos a construir a estrada que nos levará a jornada futura também no hoje.

Dessa forma, gostaria de falar brevemente sobre dois aspectos envolvidos nesse processo: a fé e as ações baseadas na fé.

Creio que é importante orar e pedir a Deus um bom futuro, mas creio também que precisamos saber se o que planejamos está em consonância (sintonia) com a vontade de Deus, pois se semearmos no Espírito iremos colher benção, mas se semearmos na carne colheremos corrupção.

Para isso, deixo alguns versículos que ilustram isso e mostram que essa atitude é bíblica e assim sendo, correta aos olhos de Deus.

"Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus; guie-me o teu bom Espírito por terreno plano (Caminhos retos, em outra versão) " (Salmos 143:10)

Note a ênfase que procurei dar em procurar saber a Vontade de Deus, e ainda mais, ser ensinado a Fazê-la, também observe a direção do Espírito Santo, que é prometida por Deus em João 16:13, onde o Senhor Jesus diz que o Espírito nos guiará em toda a Verdade, e em Romanos 8:14, Paulo ainda vai além, dizendo que os filhos de Deus são guiados pelo Espírito de Deus.

Creio que não basta apenas saber a vontade de Deus, mas procurar conhecer as diretrizes, conselhos e mandamentos de Deus para nós quem nos levará a não somente buscar saber a vontade de Deus, mas obedecer e crer para viver a vontade de Deus, dirigindo os nossos passos em direção à vontade de Deus para a nossa vida.

"Ao homem pertencem os planos do coração; mas a resposta da língua é do Senhor."
(Provérbios 16:1)

"Eia agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã iremos a tal cidade, lá passaremos um ano, negociaremos e ganharemos.
No entanto, não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois um vapor que aparece por um pouco, e logo se desvanece.
Em lugar disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo. "
(Tiago 4:13-15)

No mais, termino essa meditação dizendo que, temos que valorizar o presente, que é como uma dádiva dada por Deus para nós, a qual é como o Maná que o povo de Israel recebeu de Deus no deserto, provisão apenas para o hoje.

Se deixarmos que o passado nos sufoque no presente (todas as dificuldades, frustrações, mágoas, oportunidades perdidas), não conseguiremos viver o presente, e da mesma forma, se deixarmos que a ansiedade pelo futuro nos inunde (todos os planos, metas, sonhos) e não seja canalizada da melhor maneira (como esperança, como força motivadora para viver melhor o hoje e se preparar da melhor forma e calmamente para o amanhã), também não conseguiremos viver o hoje.

"Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal." (Mateus 6:34)

" Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças;
e a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus."
(Filipenses 4:6-7)

"Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas vou prosseguindo, para ver se poderei alcançar aquilo para o que fui também alcançado por Cristo Jesus.

Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão adiante,

prossigo para o alvo pelo prêmio da vocação celestial de Deus em Cristo Jesus."
(Filipenses 3:12-14)

"Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente. "
(Hebreus 13:8)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Antíteses Divinas

Existem coisas que não podem ser entendidas por completo, mas que podem ser sentidas profundamente no interior de nossas almas.

Um Amor tão grande daquele que morreu para me dar vida, como entenderei ?

Como poderia eu entender que, as feridas em seu corpo puderam servir para curar as feridas da minha alma ?

Como entenderei o amor daquele que mesmo sendo santo e eterno, se rebaixou de Filho de Deus para Filho do Homem, para fazer de mim, um simples mortal e pecador, filho de Deus com a breve promessa da vida eterna ?

Como poderia entender um amor tão grande, daquele que mesmo sendo Santo, morreu na cruz condenado como se fosse criminoso, por um pecador que merecia estar ali em Seu lugar ?

Como poderia entender a razão que fez com que o Eterno Rei dos reis se submetesse à autoridade falível de reis humanos fracos e temporais ?

Se eu pudesse entender a Deus, eu não seria humano e nem Ele seria Deus.

Como poderia entender que o criador infinito habitou na finitude do útero de uma criatura Dele ?

Haveria como explicar o dia que o Eterno nasceu como um simples mortal ?

E como Entender que o Pai da Eternidade se fez filho mortal por um momento ?

E como entender o dia que o Deus menino olhava para as estrelas que Ele mesmo havia criado e sabe o nome de cada uma ?

Não tenho razões e nem porquês, mas como explicar a paz tão grande que sinto hoje ?

E quando as ondas da vida batem em meu barco, eu olho para o alto, clamo a Ti, e logo tenho paz, como posso explicar isso ?

Não consigo Te entender plenamente, Senhor, mas sei que estás comigo, e que quando orou e pediu que o Pai salvasse todos aqueles que ouvissem falar de Ti e cressem, sinto que de alguma forma meu nome estava incluído lá.

Sei que Tua Morte na cruz me trouxe vida, e que você nasceu nesta Terra para que eu pudesse crer em Ti, deixar meu velho Homem morrer contigo naquela Cruz e Nascer de novo pelo poder da sua ressurreição, para estar pronto para ir para o céu de onde Tu vieste.

E ainda que tudo pareça ser contrário, ainda que a vida seja dura e que haja dores, Sei que ainda habitarei Contigo para Sempre.

" Por isso não desfalecemos; mas ainda que o nosso homem exterior se esteja consumindo, o interior, contudo, se renova de dia em dia.

Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós cada vez mais abundantemente um eterno peso de glória;

não atentando nós nas coisas que se vêem, mas sim nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, enquanto as que se não vêem são eternas. "
(2 Coríntios 4:16-18)

Ah, e com relação ao Entender um amor tão grande, acho que não deve mesmo ser entendido, pois Ele mesmo Disse:

"Naquela mesma hora exultou Jesus no Espírito Santo, e disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos; sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado."
(Lucas 10:21)

Uma Criança não conhece muito de seus pais, mas não precisa de nada disso para amá-los e nem para ser amada por eles, ama porque ama e ponto final.

Eu quero te amar como criança, pois para Ti, ó Eterno, serei sempre uma criança !

sábado, 10 de novembro de 2007

Além de Nicodemus

Ao iniciar a leitura dos primeiros capítulos do Evangelho de Jesus segundo escreveu João, iremos nos deparar com um diálogo interessante entre Jesus e um dos líderes dos Judeus, Nicodemus.
Num Contexto histórico interpretativo, veremos que Nicodemus demostra certa fascinação pelo modo de vida e, porque não dizer, pela doutrina/prática espiritual de Jesus.

Certamente ele via em Jesus uma perfeita sintonia entre o discurso e a vida, as palavras e as atitudes e isso lhe trazia admiração, pois Jesus realmente agia como pregava, e por isso, dava muitos frutos.

Podemos em contraponto supor que havia também certo cansaço ou desilusão com a religiosidade morta, cheia de regras, rotineira e vazia que ele vivia.
Crer em um Deus engessado pelas práticas da religião e depois ver que existe algo além disso (uma interação entre Deus e os homens) deve ter sido a razão que levou Nicodemus a procurar por Jesus.

Outro ponto interessante que deve ser ressaltado é o fato de Nicodemus ter ido falar com Jesus à noite, talvez por temer retaliações por parte do povo, dos fariseus ou dos outros sacerdotes.

Mas esse medo ou cautela não era maior do que a sede por conhecer o Deus Vivo que Aquele Rabi Nazareno tanto falava, honrava e demonstrava em sinais e milagres.

Ele demostra isso claramente em suas palavras, que em uma releitura prática deveriam dizer: "Nós sabemos que você veio de Deus, pois vemos que você não apenas fala Dele, mas seus atos e os sinais e milagres que você opera, demostram que Ele está contigo."

Jesus Sabia que Nicodemus sentia em seu coração o desejo de viver a fé desta maneira e por isso, disse que para ver o reino de Deus era necessário nascer de novo.

Esse termo não foi entendido por Nicodemus, pois ele não associou o novo nascimento com o Nascer de Deus (no Mundo Espiritual), mas sim o nascer no mundo natural.

Jesus então explica que o nascer natural (da carne) nos torna seres humanos, mas o nascer do Espírito, gera seres espirituais, os filhos de Deus.

Para explicar o novo nascimento, Jesus apresenta dois elementos : a água e o Espírito, os quais estão diretamente ligados ao arrependimento, perdão dos pecados, redenção, adoção como filhos de Deus, nova consciência, processo de regeneração, nova vida e arrebatamento.

A água simboliza o batismo, que era um ritual de purificação somente para os não-judeus, mas que estava sendo aplicado por João Batista (que preparou o caminho de Jesus).
Ele está associado ao desejo de mudança de vida, ao arrependimento e à purificação.
As referências bíblicas sobre o batismo são: João 1:19-37, Mateus 3, Marcos 16:15-16, atos 2:14-47, Gálatas 3:26-29, Romanos 6:3-11, colossenses 2:8-15, 1Pedro 3:11-22).

O Espírito diz respeito à regeneração produzida pelo Espírito Santo, uma transformação da natureza carnal, pecadora e adâmica pela Natureza espiritual, santa e segundo à imagem de Jesus Cristo.

O Espírito Santo é o consolador, aquele que foi mandado por Deus para ficar no lugar de Jesus aqui na Terra, para não nos deixar orfãos.
Ele nos guia em toda verdade (João 14:15-26, 16:5-14), Ele transforma a nossa natureza, retirando os frutos da carne e produzindo os do Espírito (Gálatas 5:16-25).

Para concluir, gostaria de explanar um pouco sobre o motivo principal para toda essa obra de Deus: Seu grande amor pela humanidade (João 3:16, Romanos 5:6-21).

Esse grande amor é a razão de Deus ter todo esse cuidado por nós e Jesus ter nos amado muito mais que sua própria vida (João 15:12-13, João 10:14-18)

Vemos no final do texto (do versículo 14 até o 21) que Jesus explica a Nicodemus o grande amor do Pai, o plano da salvação, o perdão de nossos pecados pela sua morte na cruz e a rejeição daqueles que não desejam sair das trevas, nem nascer de novo, mas somente viver escondidos atrás da religiosidade morta, os quais seriam julgados e condenados não somente pelo seus pecados, mas por negar tão grande salvação e perdão, se julgando santos demais e pensando não ter necessidade.

Creio que é dever de todos os cristãos procurarem viver um cristianismo Vivo, que não se resume apenas aos rótulos religiosos/denominacionais, aos dogmas de fé ou doutrinas, mas sim uma fé viva, uma experiência de comunhão diária com Deus, um bom relacionamento com nosso próximo, um desejo de obedecer à Palavra de Deus por amor a Deus, procurando sempre ser da maneira que Nosso Pai Celestial quer que sejamos: seus filhos santos e amados, discípulos de seu Filho Unigênito, Jesus Cristo.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

O Filho e o cordeiro

É interessante como o povo gosta de pintar o quadro de um deus mau e cruel que pune severamente um Ser Humano Bonzinho Perfeito Santíssimo...

Creio que Deus é amor, mas a justiça também é um de seus atributos.

Pela Justiça e amor, Ele decidiu provar Abrãao para testar o amor dele e se ele entregaria seu único Filho Isaque por amor ao Senhor em quem cria e servia.

Abrãao, mesmo sentindo muita dor em seu coração, foi até o fim, quase entregando seu filho em sacrifício ao Senhor.

Mas Deus é misericordioso e viu que Abrãao verdadeiramente O amava, mas que não conseguiria suportar a perda do filho.

Depois disso, Abrãao ficou sendo conhecido até hoje como Pai da Fé e amigo de Deus.

Deus então poupou o filho e deu um cordeiro.

O povo de Israel cresceu, foi para o exílio, e lá novamente o cordeiro foi a salvação do povo de Israel contra o julgamento do corrupto povo do Egito.

Veio a Lei, e o cordeiro ainda era a prova do amor de Deus e a obra da expiação temporária dos pecados.

Mas um simples cordeiro nunca poderia apagar definitivamente o preço da condenação eterna do homem, nem aplacar a justiça de um Deus santo, que havia visto toda a maldade do homem sobre a Terra até aquele dia.

O cordeiro deveria ter a semelhança do homem pecador, mas sem pecado...

Em uma Sexta-Feira, no Monte Gólgota, Deus ignorou o sacrifício do cordeiro lá no Templo para prover o Seu Filho Unigênito, o melhor de tudo o que tinha, como o seu Cordeiro para os Homens.

Sentindo uma dor muito mais forte daquela que Abrãao Sentiu, pois este estava triste enquanto pensava na possibilidade da morte de seu filho Isaque, mas que seria entregue a um Amigo, o Deus Eterno.

Enquanto Deus entregava um Filho muito mais precioso para uma humanidade que o ignorava, Mas mesmo assim, por sua grande misericórdia e amor, Ele foi até o fim e sacrificou o Filho por Nós.

Agora, Será que podemos chamar de mau, cruel e injusto, um Deus que entrega a Si mesmo para pagar o preço dos pecados de seres humanos pecadores, culpados, ingratos e auto-justificadores de si mesmos ?

Ele não precisava fazer isso, mas fez...

Ele era o Juiz que estava prester a condenar o réu, mas havia a possibilidade de pagar uma alta fiança para evitar a condenação, e Ele saiu da posição de Juiz, assumiu a de Réu, pagou o alto preço da Fiança, voltou para seu Lugar de Juiz e disse: "Está Pago, Você está Livre !"

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

O Reino dos reinos

Quando vemos as histórias dos grandes reinos do planeta, vemos que eram importantes e vastos, e que sempre tinham como motivo de sua expansão a ganância humana, marcada pela figura do rei e de seus tiranos, os poderosos e cruéis exércitos.



Mas podemos constatar a existência de um Reino que contraria a todos estes, por ser invisível, eterno, não ganho por força e nem por violência, mas semeado nos corações.



Por este Reino, João Batista dedicou sua vida para anunciá-lo, confrontando a hipocrisia e todo valor contrário aos do Reino Eterno, chamando todos os homens ao arrependimento de seus pecados e com isso, preparando-os para o encontro com o Rei.



A Mensagem a respeito deste Reino confundiu a mente dos homens, pois ele prioriza os fracos, os pobres de espírito, os humildes, as crianças e até aqueles que começam tudo de novo, nascendo de novo, tornando-se como criança, para assim herdar o reino.



Um Reino que não se entra por merecimento e menos ainda por méritos, mas pela Graça, um favor imerecível e inestimável concedido pelo Rei.



Não se pode merecer simplesmente pelo fato de que o próprio Rei ter vindo pessoalmente buscar futuros suditos, e por não ter vindo em toda a sua glória, e sim humildemente como um servo, Ele foi humilhado, muitos nem deram crédito à sua pregação.



Para que pudéssemos entrar no Seu Reino Eterno, Ele se fez como nós.



Ele se limitou a viver segundo as normas do nosso reino falido, se submeteu ao julgamento falho e distorcido de nossas autoridades, e sendo julgado segundo a aparência e não segundo sua justiça e santidade, Ele foi condenado a Morte.



Todas as regras de justiça de nosso reino foram cumpridas Nele, quando a Própria Justiça de Deus (encontrada na plenitude do Rei) foi tida como injustiça pelos homens, e injustamente foi desprezada pelos homens.



A Justiça de Deus foi julgada como injustiça, quando o único que poderia ser considerado justo por si próprio diante de Deus, foi condenado como o mais injustos de todos os homens.



Por ter se vindo como nós, esvaziando-se de seus atributos divinos e reais, o Rei confirmou o fato de que nenhum ser humano pode se auto-justificar diante de Deus, pois Ele é a própria Justiça de Deus, tão desprezada pelos homens.



Através dele os homens podem se Justificados, e serem Feitos Nele e Por Ele, justificados diante de Deus.



O Próprio Rei Eterno se entregou nas mãos das autoridades temporais, pois este não era seu Reino, e cabia-lhe pagar o preço pelo ingresso dos novos súditos ao Reino Eterno.



Para fazer com que fossemos dignos e aceitos em seu Reino, O Rei pagou um alto preço: receber em si mesmo a punição que nós mereceríamos, e isto lhe custou todo o seu sangue, chagas em seu Corpo, e uma horrível morte na cruz, punição para os piores pecadores.



Ele foi sempre manso, humilde, misericordioso, e até na hora de seu sofrimento, dor, separação de Seu Pai Eterno, e morte, ainda cumpriria sua missão, ganhando como súdito um rejeitado ladrão, que reconheceu que estava diante do Rei Eterno.



Este Reino não é Político, mas sim espiritual e tem sua sede provisória nos corações de todo aquele que se rende ao Rei, e deixam que Ele instale Seu Trono e senhorio em suas almas.



Hoje mesmo pode estar havendo uma batalha, onde o Rei envia seus embaixadores para convidar novos suditos, e eles encontram forte oposição e rejeição destes para o domínio do Rei em seus corações.



Quem sabe o rei está te convidando a se entregar a Ele, ser seu amigo, recebendo o dom da graça e perdão que Ele conquistou na Cruz do Calvário e aceitá-lo como seu salvador ?

Quem sabe você não tem percebido, por estar trancado na masmorra do egoísmo, no calabouço do medo, nas prisões da insegurança, nas correntes da dúvida ou na poço dos traumas e decepções da vida ?

Será que você não está escondido atrás da muralha do orgulho e da auto-suficiência ?

Enquanto isso, o Rei humildemente te chama, espera por ti, anseiando pelo dia em que você levantará a bandeira branca e se renderá a Ele para todo sempre.

Aqueles que aceitam o convite e se rendem ao Rei, se tornam automaticamente não apenas suditos, mas amigos, herdeiros, arautos e recebem a promessa de habitar no novo reino com sede nos céus.

Promessa que é selada pela ardente e viva esperança do retorno do Rei, para levar-nos ao novo Reino quer estejamos vivos, quer já tenhamos se despedido desta curta existência temporária, tendo plena certeza disso, pois Ele mesmo disse: "Eu sou a ressureição e a vida, quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá." (João 11:25)

Sabemos que Ele é o mesmo ontem, hoje, e eternamente , e que céu e terra passarão, mas suas palavras jamais passarão, e por isso, clamamos: "Maranata, Ora vem, Senhor Jesus ! "

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Jesus Chorou (Eduardo Zechini)

"Jesus Chorou."
(João 11:35)

O Verbo definitivamente se fez carne e habitou entre nós.

Será que o homem Jesus tinha alguma coisa que chamasse a atenção para si?

Era Ele um homem mais bonito do que os demais? Tinha Ele graça e beleza aos olhos do mundo?
Será que ele foi um empresário de sucesso, que chamou Pedro e Tiago para abrir uma empresa de pesca, atirar a rede para a direita todos os dias, faturar muito dinheiro e levar uma vida confortável?

Seria Jesus (o filho amado em quem o Espírito de Deus se compraz), um homem livre das aflições deste mundo?

Vamos ver se, aos olhos humanos, Jesus teria sido um homem de sucesso.

Ele nasceu em condições precárias. Pertenceu à classe dos judeus rudes e pobres.
De acordo com o profeta Isaías, sua aparência seria como a “raiz de uma terra seca”, não tendo beleza aos olhos humanos.
Chegou à meia idade solteiro, rejeitado por sua própria família, e logo em seguida, rejeitado por sua própria igreja.
Ele orou, e sua oração não foi atendida. “Pai, afasta de mim este cálice!”
Foi traído com um beijo e acusado injustamente.
Foi preso, injuriado e humilhado. Seus amigos o abandonaram.

Ele curou a tantos, e creia em mim, alguns deles estavam na multidão pedindo para que o crucificassem. “Caifás tem razão, ele busca a sua própria glória, quer fazer-se a si mesmo um deus.”
Ele foi levantado na cruz. “Você não é o filho de Deus? Liberte-se a si mesmo!”

Finalmente Ele morreu.
O mundo acabou de dizer quem foi Jesus.
Satanás terminou a sua obra. Os anjos se calaram.
O corpo sem vida assinava o decreto de derrota enquanto a placa anunciava “Jesus Cristo Rei dos Judeus”.

Mas alguém ainda não havia se pronunciado.

Alguém apenas contemplava!

O Alfa e Omega, o grande El Shadday, criador dos céus e da terra, cingido em sua glória e poder, levantou-se do trono e o Universo estremeceu.

Era meio dia, e o céu fez-se negro como a noite. O chão tremeu, pedras rolaram do monte, e a multidão que festejava a vitória, calou-se.
Olhos atônitos procuraram ao redor, com espanto, com surpresa, com temor, o corpo de Jesus.

“Ai, ai, ai...verdadeiramente, este era o Filho de Deus!”

Nenhum olho humano viu o espírito de Jesus receber poder, honra e glória.

Nenhum homem ouviu o grito de ódio de satanás enquanto Jesus lhe tomava as chaves do inferno e da morte.

Caifás, Pilatos, os soldados romanos, nenhum deles presenciou Jesus se assentando à direita do trono de Deus.

Apenas um homem viu tudo isto: Um pobre ladrão, humilde, que adorou a Jesus enquanto todos O condenavam, que prostrou-se diante dele, enquanto todos O crucificavam.

Este esteve, naquele mesmo dia, com Jesus no paraíso, recebendo com Ele a coroa da vida, ainda que o mundo o julgasse indigno!

“Pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para confundir os sábios; e Deus escolheu as coisas fracas do mundo para confundir as fortes” (I Corínthios 1:27)

Jesus derramou lágrimas. Sentiu medo. Sua oração não foi respondida. Guardou silêncio, recebeu o cuspe, engoliu o escárnio, recebeu os cravos, gritou: “Pai, por quê me abandonaste?” Viu sua mãe chorando. Bebeu vinagre, entregou seu espírito, foi sepultado.

Quantas vezes Ele chorou ?
Quantas batalhas suportou ?

Coloque o seu ouvido no peito de Jesus, ouça seu coração batendo acelerado, ouça sua respiração ofegante, veja o medo em seus olhos. Veja suas lágrimas!

Verdadeiramente, o Verbo fez-se carne! Verdadeiramente, Ele habitou entre nós, como nós, por nós!

(Eduardo Zechini)

A cruz antiga e a nova (A. W. Tozer)

Totalmente sem aviso e despercebida, uma nova cruz surgiu nos círculos populares evangélicos nos tempos modernos. Parece-se com a antiga cruz, mas é diferente: as semelhanças são superficiais; as diferenças, fundamentais.

Desta nova cruz brotou uma nova filosofia da vida cristã, e dessa nova filosofia proveio uma nova técnica evangélica - um novo tipo de reunião e uma nova espécie de pregação.

Esta nova evangelização emprega a mesma linguagem da antiga, mas seu conteúdo não é o mesmo e a sua ênfase não é como antes.

A cruz antiga não fazia barganhas com o mundo. Para a jactanciosa carne de Adão, ela significava o fim da jornada. Punha em execução a sentença imposta pela lei do Sinai.

A nova cruz não se opõe à raça humana; ao contrario, é uma companheira amigável e, se corretamente entendida, é fonte de oceanos de boa e limpa diversão e de inocente prazer. Ela deixa Adão viver sem interferência.

A motivação da sua vida não sofre mudança; o seu prazer continua sendo a razão do seu viver, só que agora ele se deleita em cantar coros e em ver filmes religiosos, em vez de cantar canções obscenas e beber bebidas alcoólicas fortes.

A tônica ainda está no prazer, embora agora a diversão esteja agora num superior plano moral, se não intelectual. A nova cruz estimula uma abordagem evangelística nova e inteiramente diversa.

O evangelista não exige renuncia da velha vida para que se possa receber a nova.
Ele não prega contrastes; prega similaridades.
Procura caminho para o interesse do público, mostrando que o cristianismo não faz exigências desagradáveis; ao invés disso, oferece a mesma coisa que o mundo oferece, só que num nível mais alto.

Seja o que for que o mundo enlouquecido pelo pecado reclame para si no momento, com inteligência se demonstra que exatamente isso o evangelho oferece, só que o produto religioso é melhor.

A nova cruz não destrói o pecador; redireciona-o. Aparelha-o para um modo de viver mais limpo e mais belo e poupa o seu respeito próprio. Àquele que é auto-afirmativo, ela diz: "Venha e afirme-se por Cristo". Ao egoísta diz: "Venha e exalte-se no Senhor".

Ao que procura viva emoção diz: "Venha e goze a vibrante emoção do companheirismo cristão".

A mensagem cristã sofre torção na direção da moda em voga, para que se torne aceitável ao publico.
A filosofia que está por trás desse tipo de coisa pode ser sincera, mas sua sinceridade não a faz menos falsa. É falsa porque é cega.
Falta-lhe por completo todo o significado da cruz.

A antiga cruz é um símbolo de morte. Ela representa o abrupto e violento fim do ser humano. Na época dos romanos, o homem que tomava sua cruz e se punha a caminho já tinha dito adeus a seus amigos. Não voltaria. Estava saindo para o término de tudo.
A cruz não fazia acordo, não modificava nada e nada poupava; eliminava o homem, completamente e para sempre. Não procurava manter boas relações com a sua vítima. Feria rude e brutalmente, e, quando tinha terminado o seu trabalho, o homem já não existia.

A raça de Adão está sob sentença de morte. Não há comutação nem fuga. Deus não pode aprovar nenhum fruto do pecado, por mais inocente ou belo pareça aos olhos dos homens.

Deus salva o indivíduo liquidando-o e, depois, ressuscitando-o para uma vida nova.

A evangelização que traça paralelos amistosos entre os caminhos de Deus e os dos homens é falsa para Bíblia e cruel para as almas de seus ouvintes.

A fé crista não é paralela ao mundo; secciona-o. Quando vimos a Cristo, não elevamos a nossa velha vida a um plano mais alto; deixamo-la aos pés da cruz.

O grão de trigo tem de cair no solo e morrer.

É preciso que nós, que pregamos o Evangelho, não nos consideremos como agentes de relações públicas enviados para estabelecer boa vontade entre Cristo e o mundo.

É preciso que não nos imaginemos comissionados para tornar Cristo aceitável ao grande comércio, à imprensa, ao mundo dos esportes ou à educação moderna.

Não somos diplomatas, mas profetas, e a nossa mensagem não é um acordo, mas um ultimato. Deus oferece vida, não porém uma velha vida melhorada. A vida que Ele oferece é vida posterior à morte.

É vida que se mantém sempre no lado oposto ao da cruz. Quem quiser possuí-la, terá de passar sob a vara. Terá de repudiar-se a si próprio e aquiescer-se à justa sentença de Deus que o condena.

Que significa isso para o indivíduo, para o condenado que desejar achar vida em Cristo Jesus?

Como poderá esta teologia ser transferida para a vida?
Simplesmente, é preciso que ele se arrependa e creia. É preciso que ele abandone os seus pecados e então prossiga e abandone a si mesmo. Que não cubra nada. Que não procure fazer acordo com Deus, mas incline a cabeça para o golpe do severo desprazer de Deus e reconheça que merece morrer.
Feito isso, que ele contemple com singela confiança o Senhor ressurreto, e do Senhor lhe virão vida, renascimento, purificação e poder.

A cruz que deu cabo a vida terrena de Jesus agora põe fim ao pecador; e o poder que levantou Cristo dentre os mortos agora o ressuscita para uma nova vida ao lado de Cristo.

A qualquer que faça objeção a isso ou que o considere meramente como uma estreita e particular visão da verdade, permita-me dizer que Deus fixou Seu caminho de aprovação nesta mensagem, desde os dias de Paulo até ao presente.

Quer exposto nestas exatas palavras quer não, tem sido este o conteúdo de toda pregação que tem trazido vida e poder ao mundo através dos séculos.

Os místicos, os reformadores, os avivalistas, tem posto aqui a sua ênfase, e sinais, maravilhas e poderosas operações do Espírito Santo deram testemunho de aprovação de Deus.

Ousaremos nós, os herdeiros desse legado de poder, adulterar a verdade?

Ousaremos apagar com os nossos grosseiros lápis as linhas impressas ou alterar o modelo que nos foi mostrado no Monte?
Não o permita Deus. Preguemos a velha cruz e conheceremos o antigo poder.

Nota sobre o Autor: O Dr. A. W. Tozer era pastor da Southside Alliance Church, em Chicago. Ele é conhecido como um dos mais famosos pregadores deste século e como "um profeta" da nossa geração.